2026/09/24
Na tarde de quinta-feira, dia 17, ao passarmos na estrada municipal que liga a Vila de Baião à Vila de Santa Marinha do Zêzere, a poucos metros da via, chamou-nos a atenção um grupo de pessoas que procedia ao corte e desfolhada de milho, num campo de grandes dimensões.
A azáfama era grande num dia de muito calor para o trabalho que estavam a realizar no campo denominado de ‘Açoreira’, em Roçadas, Valadares, Baião, cujo dono da propriedade é, José Carneiro, que reside nas proximidades, do campo e que mantém o cultivo tradicional da terra com o auxílio da sua família, apesar de reconhecer que a atividade não gera rendimento.
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"Sou o dono do campo. Quem semeia e planta sou eu, a mulher e a minha família", explicou José Carneiro, destacando o apoio da irmã, cunhado, prima e vizinha que o ajudam nas tarefas agrícolas.
Confessou que, mesmo com o trabalho e ajuda da família "isto é trabalhar para aquecer", acrescentando que o cultivo se mantém pelo gosto e pela vontade de ter as coisas produzidas e o campo feito, porque "de resto, para vender não dá".
José Carneiro cultiva o milho sobretudo para consumo próprio, adiantando que tem moinho e forno a lenha, para alimentar o gado, galinhas e porcos. Prevê que este ano irá ter uma colheita de cerca de 120 alqueires o que equivale "Se for como no ano passado, deve andar à beira de ‘três carros’", acrescentou.
O proprietário lamenta a escassez de ajuda para cultivar e destaca que, mesmo pagando, não há quem se disponha a trabalhar na terra. "Agora realmente há poucas pessoas para ajudarem e cultivarem. Mesmo pagando não há", afirmou.
Salientou a falta de incentivo para a produção agrícola, comentando que "se semear um bocadinho mais de batata e calha de produzir melhor, não há quem compre. Por isso, prefiro cultivar apenas para o consumo doméstico e para as pessoas que me ajudam”.
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Questionado sobre a manutenção da atividade agrícola, José Carneiro, é perentório na resposta “continuarei enquanto puder, com paciência, a gente não dura sempre, nem tem sempre força".
Relata ainda que agora já não é como antigamente, quando se faziam grandes desfolhadas onde apareciam as espigas de cor vermelha chamadas de milho rei, “era uma alegria e havia muita animação. Antigamente eram frequentes, agora são raras, ainda não apareceu nenhuma", recordando que, quando era miúdo, apareciam em grande quantidade.
A terminar a nossa agradável conversa, o agricultor expressou a importância de preservar as tradições e valorizar o trabalho familiar na agricultura, mesmo que não gere lucro.