Maria Emília da Rocha Barros é farmacêutica, residente em Santa Marinha do Zêzere/Baião e desde julho de 2026 lidera a Comissão Administrativa da Cruz Vermelha em Baião. Nesta entrevista ao Jornal O Comércio de Baião, explica o papel da delegação, os desafios sociais do concelho e os planos para o futuro, com especial enfoque no apoio aos idosos e na dinamização do voluntariado jovem.
Jornal O Comércio de Baião (CB): Desde quando lidera a delegação da Cruz Vermelha de Baião?
Maria Emília da Rocha Barros (EB): Desde 10 julho que sou a presidente da Comissão Administrativa. Ainda vamos organizar a associação e os órgãos sociais, temos um ano para isso.
CB: Ao que sabemos, a delegação de Baião já existia há anos?
EB: Sim, há muitos anos, mas estava inativa, pelo que agora é quase um recomeço. Muitos dos agregados faleceram e não houve continuidade. Eu já abraçava este projeto há muito tempo porque gosto de ajudar, pois também fui ajudada para chegar onde estou. Acredito que devemos ajudar os outros e não viver só para nós.
CB: Qual é o papel da delegação da Cruz Vermelha em Baião?
EB: A Cruz Vermelha tem como princípio ajudar os mais vulneráveis, independentemente de raça, política ou ideologia. Ajudamos pessoas e famílias vulneráveis, com foco atual no apoio ao idoso e na criação de hábitos nos jovens, que por vezes desconhecem as realidades à sua volta. Estamos a tentar angariar jovens voluntários para incentivar a ajuda ao próximo e garantir a continuidade da delegação.
CB: Por que é importante envolver os jovens?
EB: Queremos essencialmente a ligação dos jovens, licenciados ou não, como voluntários e sócios. Se nos focarmos só nos idosos, quando eles partirem ficaremos desprotegidos. Além dos idosos, também queremos apoiar famílias vulneráveis, colaborando com a Câmara Municipal, Juntas de Freguesia, IPSS e Bombeiros.
CB: A delegação tem instalações próprias?
EB: Antigamente, a Cruz Vermelha tinha instalações num terreno doado pela Câmara na Rua Soeiro Pereira Gomes, na vila de Baião, mas o espaço está abandonado, é pequeno, tem acesso difícil e não oferece condições para armazenamento. Estamos a tentar vender esse espaço, com autorização da Cruz Vermelha Nacional, para evitar gastos em obras num local inadequado. Esperamos resolver esta situação até ao final do ano.
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CB: Que necessidades sociais identificam no concelho?
EB: Temos autonomia para atuar nas necessidades sinalizadas. Também já contamos com o apoio da junta de freguesia de Campelo e Ovil, onde nos cederam um espaço para reuniões. Procuramos junto da Câmara Municipal um espaço para uso enquanto delegação da Cruz Vermelha.
CB: Têm algum projeto para o futuro?
EB: Vamos priorizar o apoio ao idoso, a crianças e jovens, especialmente no apoio ao ensino e ao estudo. Temos voluntários na área da psicologia e professores que podem ajudar crianças com dificuldades de aprendizagem.
CB: Tem um estudo sobre os desafios locais?
EB: A minha vivência profissional de 43 anos permitiu-me perceber muitas carências e vulnerabilidades no concelho, especialmente na parte que conheço melhor. Isso despertou em mim o desejo de fazer mais pela comunidade.
CB: Já que falou em comunidade, como a pretende envolve-la no vosso projeto?
EB: Queremos envolver a comunidade como sócios e voluntários. Temos um site onde as pessoas podem candidatar-se a voluntários, mas nós procuramos também diretamente quem esteja disponível para ajudar, especialmente reformados ou pessoas com vida ativa que possam apoiar os idosos e participar em iniciativas com jovens.
CB: Que tipo de iniciativas pensam desenvolver?
EB: Queremos criar projetos que liguem avós e netos para que os jovens conheçam as histórias e a vida dos idosos, valorizando o passado e a experiência. É importante que os jovens percebam o esforço das gerações anteriores.
CB: Qual a mensagem principal que quer deixar, principalmente aos baionenses?
EB: Apelo a todos para que se tornem sócios, voluntários ou ambos. Neste momento, o nosso arranque depende de angariar sócios para o fundo de maneio e voluntários para fazer o trabalho que nos está destinado.
CB: Já está definido o valor da cota para ser sócio?
EB: Sim, são dois euros por mês, ou vinte e quatro euros por ano, um valor acessível para a maioria. Quem não puder contribuir financeiramente pode ajudar como voluntário, seja jovem ou menos jovem, em qualquer freguesia do concelho.
CB: Que contactos disponibilizam para quem quiser ajudar?
EB: O contacto telefónico é 910 326 690, que atendo eu pessoalmente, e o e-mail é baiã[email protected].