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O Comércio de Baião

2026/09/23

Entrevista com Patrícia Pinto da Silva presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Baião

Destaque

A nova Comissão Política Concelhia do PSD de Baião tomou posse no passado dia 7 de junho de 2026, numa cerimónia realizada no Auditório do MACC – Mosteiro de Ancede Centro Cultural de Baião. À frente da nova estrutura concelhia está Patrícia Pinto Silva, que assume a presidência com o objetivo de conduzir o PSD de Baião durante este novo ciclo político.

Jornal "O Comércio de Baião" (CB) – Assumiu recentemente a liderança da Comissão Política Concelhia do PSD de Baião, num momento importante após a vitória nas últimas eleições autárquicas e a chegada do PSD à liderança da Câmara Municipal. Que significado tem para si esta responsabilidade?

Patrícia Pinto Silva (PPS) – Antes de mais, quero agradecer ao “Comércio de Baião” a oportunidade de partilhar a visão e as ideias da Comissão Política do PSD Baião. É uma enorme responsabilidade e, naturalmente, uma grande honra assumir a liderança do PSD Baião num momento tão importante da história democrática do concelho. Existe uma confiança que temos de saber honrar. A conquista da Câmara Municipal representa uma mudança política significativa, mas não altera a nossa visão nem a postura que nos trouxeram até aqui. Não encaramos esta vitória como um ponto de chegada, mas como um ponto de partida. A minha missão é liderar uma estrutura política dinâmica, exigente, próxima das pessoas e preparada para os desafios que Baião tem pela frente.

CB – A sua eleição representou uma mudança geracional e uma passagem de testemunho. Que legado recebeu da anterior presidente, Ana Raquel Azevedo, e que marca pretende deixar?

PPS – Não colocaria a questão numa perspetiva de mudança geracional, porque eu e a anterior presidente somos da mesma geração. É, sobretudo, uma passagem de testemunho entre duas pessoas nascidas e criadas em Baião, que conhecem o território e trabalham de forma próxima há vários anos. Recebo o trabalho da Ana Raquel com respeito e reconhecimento, valorizando o caminho feito e aquilo que a estrutura conquistou. Quanto à marca que quero deixar, será a de um PSD mais próximo, participado e mobilizador. Um partido onde os militantes tenham voz, onde exista espaço para novas ideias e onde sejamos capazes de juntar pessoas diferentes em torno de um objetivo comum: Baião.

CB – Conhece bem a estrutura local do PSD. Agora enquanto líder da Concelhia, o que descobriu ser mais exigente neste papel?

PPS – Há cerca de vinte anos iniciei a minha participação ativa na vida política do concelho, depois de um desafio lançado pelo senhor Pinto Vieira, um ex-autarca conhecido de todos. Desde então, passei pelos órgãos concelhios do PSD e pelos órgãos da autarquia, assumindo atualmente funções como deputada municipal. Mas liderar uma estrutura é diferente de participar nela. Quando assumimos responsabilidades de liderança, temos de conciliar diferentes sensibilidades, expectativas e formas de pensar. Essa é uma das maiores exigências, mas também uma das partes mais interessantes do cargo. É preciso saber ouvir, criar espaço para que as pessoas se expressem e encontrar aquilo que nos une. E o compromisso do PSD é e será sempre com Baião.

CB – Na sua tomada de posse falou num partido “próximo das pessoas, aberto aos militantes e simpatizantes, capaz de ouvir, mobilizar e construir soluções”. Como se concretizam estas palavras no terreno?

PPS – Com presença e disponibilidade para ouvir todos. Quero que qualquer pessoa sinta que pode aproximar-se do PSD, apresentar uma ideia, colocar uma questão ou fazer uma crítica. Um partido político não pode fechar-se em si próprio. Tem de ouvir não apenas quem concorda connosco, mas também quem nos questiona ou tem uma perspetiva diferente. Quando alguém nos transmite uma preocupação ou apresenta uma proposta, devemos perceber o que podemos fazer, encaminhá-la para quem tem competência para intervir e, sempre que possível, contribuir para encontrar uma solução. Naturalmente, nem tudo terá resposta imediata e nem todos os problemas podem ser resolvidos por uma estrutura partidária. Temos de ser sérios e transparentes quanto a isso. Mas há uma diferença entre não conseguirmos resolver um problema e não estarmos disponíveis para o ouvir. É essa cultura de proximidade que quero reforçar: um partido que não aparece apenas para falar, mas que está presente para ouvir e que não procura as pessoas apenas quando precisa delas, mas que está efetivamente ao lado delas.

CB – O PSD de Baião passou da oposição à liderança da Câmara Municipal. Essa mudança aumenta a responsabilidade da Comissão Política? Como deve ser a relação entre o partido e o executivo?

PPS – Sem dúvida que aumenta muito a responsabilidade. O facto de o PSD liderar atualmente o Município não diminui a exigência, pelo contrário. Enquanto oposição, tínhamos sobretudo uma responsabilidade de fiscalização, apresentação de alternativas e construção de um projeto diferente para Baião. Esse projeto venceu as últimas eleições e está agora a ser concretizado. A Comissão Política tem a responsabilidade de o acompanhar e contribuir para a sua afirmação. Existe um projeto político comum e uma visão para Baião, pelo que há diálogo permanente, confiança e proximidade entre a estrutura partidária e o executivo. Mas proximidade não significa dependência, da mesma forma que autonomia não significa distanciamento.

CB – Onde termina o papel da Comissão Política e começa o da Câmara Municipal? É importante existir uma separação clara entre as duas estruturas?

PPS – É essencial distinguir os papéis. Não podemos confundir o partido com o poder executivo, que foi eleito para governar todos os baionenses, independentemente da sua cor partidária. Um executivo municipal deve ter condições para governar e assumir as suas decisões. A Comissão Política deve pensar politicamente o concelho, estar próxima das pessoas, ouvir militantes e comunidade, promover o debate, apresentar ideias e acompanhar o trabalho desenvolvido. Essa separação fortalece ambas as estruturas. Porque não queremos, enquanto Partido, criar quadros políticos através da Câmara Municipal, aliás sempre nos debatemos contra isso. Deve, sim, existir diálogo, confiança e cooperação, mas respeitando a autonomia e as competências de cada uma. Apoiar o nosso executivo não significa concordar automaticamente com todas as decisões. Significa partilhar um projeto, contribuir para o seu sucesso e ter a frontalidade necessária para dizer, internamente e com lealdade, quando entendemos que algo pode ser melhorado. Quanto mais clara e saudável for esta relação, mais forte será o projeto político e, sobretudo, melhor serviremos Baião e os baionenses.

CB – A presidente da Câmara referiu que vários compromissos eleitorais já estão em execução e que pretende uma governação de proximidade. A Comissão Política vai acompanhar este trabalho e transmitir ao executivo as críticas e preocupações dos baionenses?

PPS – Sim. Muitos dos compromissos que integraram o programa deste projeto político vencedor já estão em curso. Dizer que nada saiu do papel ou que o projeto não arrancou não seria eticamente correto, nem sério. Temos, por exemplo, a política de incentivo à natalidade, o alargamento da Universidade Sénior a Santa Maria do Zêzere e a aquisição de um espaço nessa freguesia destinado à divulgação da casta Avesso e dos produtos baionenses, com impacto nas áreas económica, empresarial e turística. A presidente da Câmara tem também demonstrado uma governação de proximidade, através do atendimento nas freguesias, das visitas ao comércio local e das deslocações ao terreno sempre que necessário. A Comissão Política tem acompanhado o trabalho do executivo e continuará a fazê-lo. Uma estrutura próxima das pessoas vai necessariamente ouvir críticas, sugestões e preocupações. Se um baionense nos apresenta uma dificuldade ou uma proposta que possa contribuir para melhorar determinada situação, temos a obrigação de a ouvir e transmitir ao executivo. Quanto maior for a nossa capacidade de identificar problemas e fazer chegar diferentes sensibilidades a quem governa, mais estaremos a contribuir para melhorar a governação.

CB – O PSD conquistou a Câmara Municipal após duas décadas de governação PS. Apesar de ser uma vitória histórica, traz grandes expectativas. Qual é hoje o maior desafio para o PSD: governar bem, corresponder às expectativas ou preparar o futuro político do partido?

PPS. – Vejo esses desafios como partes de uma mesma prioridade: colocar o desenvolvimento de Baião no centro da nossa ação e corresponder à confiança que os baionenses depositaram no PSD. A vitória foi histórica. Depois de duas décadas de governação socialista, os baionenses confiaram num projeto político diferente e deram ao PSD a responsabilidade de liderar o Município. As pessoas não votaram apenas numa mudança de protagonistas ou numa alternância partidária. Votaram num projeto, num conjunto de compromissos e numa nova visão para o futuro do concelho. É essa confiança que temos de honrar através do trabalho, da proximidade e dos resultados. O futuro político será sempre consequência do trabalho que fizermos e dos resultados que conseguirmos alcançar.

CB – Baião enfrenta desafios como o envelhecimento, a perda demográfica, a fixação dos jovens, habitação, emprego, acessibilidades e desenvolvimento económico. Se tivesse de escolher três grandes prioridades para os próximos anos, quais seriam?

PPS – A primeira grande prioridade é estancar a saída de jovens e famílias de Baião. Precisamos de criar condições para que as pessoas considerem o concelho atrativo do ponto de vista económico e social e escolham aqui viver. A segunda é o desenvolvimento económico. É importante atrair novas empresas e projetos, mas também respeitar e apoiar quem já está em Baião. Temos empresários, comerciantes, produtores e empreendedores que investem no concelho, criam emprego e contribuem para a economia local. Temos de os ouvir, perceber as dificuldades e criar um ambiente favorável ao investimento e à iniciativa privada. A terceira prioridade é cuidar dos nossos mais velhos e combater o envelhecimento associado à solidão e ao isolamento. Se conseguirmos criar condições para fixar jovens e famílias, estaremos também a contribuir para um melhor envelhecimento da população. No fundo, quero um Baião onde seja possível nascer, estudar, trabalhar, constituir família e envelhecer com qualidade. O projeto “Baião Atrai”, é um dos exemplos, pois já está em curso e contribuirá para desenvolver a área empresarial, captar investimento, criar emprego e fixar jovens e famílias. Temos também o reforço das estruturas de apoio aos idosos e medidas destinadas a melhorar a capacidade de resposta do Município na área da habitação.

CB – A juventude é fundamental para o futuro do território. Que papel gostaria que os jovens tivessem no PSD e na definição das políticas para o concelho?

PPS – A JSD de Baião tem uma nova liderança e aproveito para desejar à equipa, na pessoa do presidente Rodrigo Portela, um mandato muito proveitoso. As juventudes partidárias são marcadas pela irreverência, pela vontade de questionar e por uma forma diferente de olhar para os problemas. Considero isso saudável para qualquer partido e também para um executivo. Mas essa atuação deve ser acompanhada de seriedade, responsabilidade e respeito institucional, sob pena de se caminhar para a desinformação perante o público que acompanha o discurso que vai sendo transmitido. É muito importante ouvir os jovens, sobretudo num concelho como Baião, onde uma das prioridades é fixá-los no território. Numa era digital, em que a informação circula rapidamente, os jovens têm um papel fundamental na identificação dos desafios que enfrentam e das soluções que podem contribuir para os ultrapassar. Esse papel acontece quando damos verdadeiramente espaço a uma nova geração para participar e liderar.

CB – Uma estrutura partidária forte precisa de renovação. O PSD de Baião tem atraído novos militantes e protagonistas? Existe uma estratégia para preparar novas pessoas para responsabilidades futuras?

PPS – A renovação é essencial. Um partido que não se renova perde capacidade para acompanhar a sociedade e responder aos novos desafios. Mas renovar não significa substituir ou desvalorizar quem tanto fez pelo partido. Se olharmos para as listas das últimas eleições autárquicas e para a atual Comissão Política, percebemos que a renovação tem acontecido ao longo do tempo. Isso demonstra também a abertura do PSD a quem entende que tem algo de positivo a acrescentar ao concelho. Queremos aproximar pessoas que se revejam nos nossos valores e no projeto para Baião, dando-lhes espaço para participar, apresentar ideias e sentir que o seu contributo é valorizado. Ao mesmo tempo, temos acompanhado os eleitos nas Assembleias de Freguesia e promovido formação em diversas áreas do poder local. Preparar pessoas para o futuro é uma responsabilidade séria. Uma estrutura política não pode preocupar-se apenas com quem ocupa funções hoje. Tem de identificar capacidades, dar oportunidades e permitir que novas pessoas adquiram experiência.

CB – O PS iniciou um novo ciclo na sua estrutura concelhia com Filipe Fonseca. Como gostaria que fosse a relação entre as duas principais forças políticas de Baião?

PPS – Deixo as minhas saudações a toda a equipa do Partido Socialista, na pessoa do seu presidente, Filipe Fonseca. A relação entre as duas forças políticas deve ser democrática, respeitosa e exigente, assente na verdade e no rigor da informação transmitida à população. Naturalmente, vamos discordar em muitas matérias, porque os projetos políticos são diferentes. Mas isso não deve ser um problema. O problema seria não discutirmos, não apresentarmos ideias diferentes ou não fiscalizarmos quem governa. Há, contudo, um bem maior que deve estar acima das diferenças partidárias: Baião. Sempre que existirem matérias estruturantes para o concelho em que seja possível encontrar consensos, devemos ter essa capacidade.

CB – Sendo presidente da concelhia do partido que governa a Câmara, sente que terá liberdade para discordar de decisões do executivo se entender que não são as melhores para Baião?

PPS – Sim. E mais do que isso, considero que devo ter essa responsabilidade. Solidariedade política não significa concordância em todas as matérias. Se acredito numa estrutura partidária aberta e participada, tenho de aceitar que nem sempre vamos pensar todos da mesma forma. Se entender que determinada decisão pode ser melhor para Baião, direi isso com frontalidade e respeito. O meu percurso político e o da presidente da Câmara, Ana Raquel Azevedo, convergem desde 2017. Temos partilhado objetivos, projetos e decisões, mas também teremos tido perspetivas diferentes sobre algumas matérias. Isso nunca colocou em causa a confiança ou a liberdade de opinião. Enquanto presidente da Comissão Política, tenho uma responsabilidade acrescida porque não represento apenas a minha opinião. Represento uma estrutura, os seus militantes e um projeto político. Se existirem preocupações ou sensibilidades dentro do partido que considere legítimas, não deixarei de as transmitir ao executivo. Mas faço uma distinção clara entre espírito crítico e oposição interna. Não me revejo numa Comissão Política que procure criar dificuldades ao seu próprio executivo, nem numa que se limite a concordar com tudo. Nenhuma dessas posições serviria o PSD ou Baião.

CB – Que objetivos gostaria de ver alcançados no atual mandato para considerar a sua liderança bem-sucedida?

PPS – Gostaria de deixar um PSD ainda mais forte, participado e próximo, com mais pessoas envolvidas e uma geração preparada para assumir responsabilidades. Uma estrutura partidária não pode depender apenas das pessoas que, num determinado momento, ocupam posições de liderança. Temos de envolver outras pessoas, descobrir capacidades, dar espaço a novas ideias e criar condições para quem queira participar. Naturalmente, quero também que o nosso trabalho político tenha reflexo na vida dos baionenses e ajude a construir respostas para os desafios do concelho. Sendo o PSD atualmente responsável pela governação do Município, há um objetivo que não posso separar da minha liderança: contribuir para que este projeto político seja bem-sucedido. A Comissão Política deve acompanhar, apoiar e ajudar a criar condições para que os compromissos assumidos com os baionenses sejam concretizados, mantendo simultaneamente a capacidade de ouvir e ser exigente. Acima de tudo, quero que se possa dizer que, durante este mandato, não estivemos apenas preocupados em construir o futuro político do PSD. Estivemos empenhados em ajudar a construir um Baião com mais oportunidades, mais ambição e mais futuro.

CB – Para terminar, cinco perguntas rápidas: uma pessoa que a inspira; o que mais gosta em Baião; o que mudaria no concelho se pudesse fazê-lo amanhã; e qual é uma preocupação frequente dos baionenses?

PPS – Não tenho uma pessoa concreta que possa apontar como “a minha inspiração”. Inspiro-me mais nas pessoas que vou conhecendo e nos percursos que acompanho. Admiro particularmente a determinação, a coragem para tomar decisões, a capacidade de trabalho, a resiliência, a coerência e, sobretudo, a autenticidade. O que mais gosto em Baião são as pessoas e a sua identidade. É um concelho com uma enorme riqueza natural, mas aquilo que verdadeiramente o distingue são as pessoas e o forte sentido de comunidade. Fico muito feliz quando encontro alguém com raízes em Baião que fala com orgulho das pessoas desta terra. Se pudesse mudar alguma coisa amanhã, criaria mais oportunidades para as pessoas se fixarem no concelho, através do desenvolvimento económico e da melhoria das oportunidades de emprego. Seria um incentivo importante à fixação dos jovens e das famílias. E uma das preocupações que mais identifico é o futuro: saber se os jovens vão conseguir ficar, trabalhar e construir aqui a sua vida. Essa é uma das maiores responsabilidades que temos enquanto decisores políticos: criar condições para que sair de Baião seja uma opção, e não uma necessidade.

(Entrevista publicada na nossa edição em papel n.º 866. de hoje, dia 23 de setembro)

 

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