2026/05/02
Esta data é celebrada anualmente em quase todos os países do mundo, sendo feriado em muitos deles e recorda os trágicos acontecimentos em 1886 quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária vigente na altura de 17 horas para oito horas diárias.
Durante a manifestação houve confrontos com a polícia, o que resultou em prisões e mortes de trabalhadores, servindo estes acontecimentos de inspiração para muitas outras manifestações que se seguiriam e tiveram como resultado final a conquista de direitos, como a fixação da jornada de trabalho em oito horas, plasmados em leis e em Constituições de vários países.
Sendo habitual invocar estes acontecimentos, vieram-me à memória as comemorações em Portugal na cidade do Porto no ano de 1982 que também ficaram marcadas pela morte de dois jovens trabalhadores, Pedro Vieira e Mário Gonçalves, após violenta carga da Policia de Intervenção que usou disparos de pistolas e metralhadoras, carregando sobre os manifestantes sem olhar a idades, operação autorizada pelo Governador Civil, Rocha Pinto e o seu secretário Januário Nunes, com a aquiescência do Ministério da Administração Interna, liderado por Ângelo Correia, todos agindo contra a Constituição no seu Decreto-Lei nº 406/74 de 29 de Agosto, Art 1º que declara «A todos os cidadãos é garantido o livre exercício do direito de se reunirem pacificamente em lugares públicos, abertos ao público e particulares, independentemente de autorizações, para fins não contrários à lei, à moral, aos direitos das pessoas singulares ou coletivas e à ordem e à tranquilidade públicas».
Ao invocar estes acontecimentos na Cidade Invicta, nos quais participei, tendo inclusive transportado um ferido ao Hospital de Santo António, faço-o por duas razões essenciais: em primeiro lugar porque não posso esquecer as vítimas mortais, nem tão pouco os responsáveis pelos crimes cometidos e em segundo lugar porque é na luta e sobre a luta que a nossa experiência se constrói, a nossa consciência se fortalece e a nossa unidade se alarga com aqueles que se encontram na primeira linha da transformação do mundo.
Não posso deixar de prestar homenagem aos dirigentes da CGTP e ao conjunto das forças progressistas perante os acontecimentos relatados, pois revelaram possuir uma alta consciência, coragem, rigor e determinação na denúncia e objetividade na caracterização dos perigos enfrentados.
Nos dias de hoje, as intimidações e as provocações continuam, outros agentes surgem para o derrube da democracia que arduamente conquistamos, no entanto acompanha-nos o mesmo tipo de sentimento para resistir, resistir sempre e faremos deste 1.º de Maio mais uma jornada nesse caminho, contra o Pacote Laboral e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores, dos reformados, dos idosos e população em geral.
Comissão Concelhia do PCP em Baião