2026/06/02
Em dois dias do ano, especialmente, se comemoram os Direitos da Criança: 1 de junho
– Dia Internacional da Criança – e 20 de novembro – Dia Mundial da Criança, este sob os auspícios da ONU.
Há ainda vários outros dias diferentes em que um grupo numeroso de países do Mundo celebra esses inalienáveis direitos das crianças, abrangidos que estão pelos direitos humanos.
Portugal, à semelhança de países lusófonos – Guiné – Bissau, Angola, Moçambique ou Timor – Leste- comemora – os em 1 de junho.
Nesse ( maravilhoso) dia, creches, infantários e escolas promovem eventos, honrando as crianças que as frequentam com festas e iniciativas onde a alegria e a confraternização jorram a rodos.
Nesse dia também os parques, com insufláveis ou não, enchem – se de gritinhos infantis e de sorrisos das famílias emocionadas ou envaidecidas com os malabarismos dos seus lindos rebentos.
Abril, com o manancial dos seus direitos constitucionalmente consagrados, veio potenciar essa efusão festiva, essa maravilhosa jornada.
Do cinzentismo de outrora ao vivaz entusiasmo de hoje, as nossas crianças adquiriram regalias e direitos que não podem perder.
Mas para que tal não suceda é absolutamente necessário que as suas famílias tenham boa qualidade de vida, os seus pais recebam um bom salário, os seus avós uma dignificante reforma e elas próprias terem direito a um abono merecedor desse mesmo nome. E, sobretudo, verem plasmada na Lei a gratuitidade das creches, de todas as creches.
Acrescentando – se todos os outros direitos inalienáveis que devem fazer parte integrante do dia a dia da criança, a começar pelo direito à vida, e continuando pelo direito à saúde, à habitação, à educação, à cultura e desporto à brincadeira e atividades lúdicas.
Direitos importantíssimos complementados pelo direito à identidade e a terem uma nacionalidade, pelo direito à alimentação saudável, ao agasalho adequado, a uma família protetora ( em primeiro lugar, a biológica), uma família com horários de trabalho regulados para estar constantemente próxima das crianças, o direito a amar os animais e a natureza, a conhecer locais, culturas, povos e raças diferentes, o direito à inclusão social.
Sabemos o quanto as crianças são maltratadas pelo mundo fora, desde o infanticídio às mutilações, desde o abuso, como o trabalho infantil, até ao abandono, desde o tráfico de crianças até ao tráfico de órgãos, passando pela prostituição infantil, pornografia infantil e abuso sexual de menores.
Denunciar firmemente os negócios milionários que se fazem a expensas do abuso e da exploração das crianças é essa a maior bandeira que se pode levantar em prol das crianças. De todas as crianças. Para que todas elas tenham direito à alegria e à felicidade, ao amor e à amizade, à paz e à liberdade.
E muitas delas morrem em Gaza, no Irão ou em outros locais onde grassam conflitos bélicos não fruindo do cultivo educativo destes valores, sendo milhares delas, paradoxalmente, barbaramente assassinadas sob apocalípticos bombardeamentos israelitas, americanos ou outros.
Há que denunciar essas atrocidades. E relembrar o dia trágico que está por detrás das Comemorações do Dia da Criança no Paraguai, que se festeja a 16 de agosto: a morte de muitas crianças – soldado, recrutadas à força por Solano López para combaterem na Guerra do Paraguai por falta de homens adultos.
Festejar o Dia Internacional da Criança – 1 de junho – é ao mesmo tempo celebrar os direitos universais inalienáveis conquistados pela civilização em prol das crianças e denunciar tudo aquilo que possa prejudicar o são desenvolvimento físico, espiritual e social das crianças com a ameaça do pacote laboral que pesa, como espada de Dâmocles, sobre a cabeça das famílias.
Fazer Greve Geral no próximo dia 3 de junho, quarta – feira, é, portanto, a melhor e mais justa forma de, respeitando os pais, respeitarmos as crianças.
Ação!
Natacha Fernandes