2026/06/04
“Onde houver ganância, não há justiça laboral”
Em dia de greve geral em Portugal, todos nós os defensores de uma maior e melhor justiça laboral e social, temos o dever de através dessa “arma” que é a palavra, lutar contra a ganância de meia dúzia e “abrir os olhos” á maioria do povo que através do medo ajuda esses gananciosos a açambarcar cada vez mais e a cavar o foço entre ricos e pobres.
“Os sindicatos é um antro de preguiçosos”, “os sindicatos são bons para comunistas se governarem”, "a greve é para malandros”, são expressões que cada vez mais ouvimos em Portugal. E o curioso disto, é que é dito por quem mais sofre as amarguras do dia á dia, quem anda a contar os cêntimos o mês todo para pagar um nível de vida cada vez mais caro e que se deixa influenciar pelo discurso dessa meia dúzia de gananciosos e dos amigos que os gravitam. Esses gananciosos e os amigos tanto falam do exemplo de outros países europeus, mas é só retórica, porque nunca puseram um sequer exemplo em prática. É por isso que hoje vos venho falar de um país europeu, a Suécia.
Sinto-me totalmente á vontade em falar da Suécia, visto que é um país liderado por um partido de direita, liberal e conservador, partido da família política europeia do PSD e que em termos políticos está longe da minha ideologia partidária. Mas o que me faz falar da Suécia é que atualmente é um dos países que mais cresce a nível mundial e que tem uma economia estável e um elevado padrão de vida graças ao seu famoso Modelo Sueco de concertação social. E perguntam vocês, em que baseia e em que pilares assenta esse modelo que faz prosperar o país?
Primeiro, existe uma concertação forte e alinhada entre as confederações patronais e os sindicatos. São estabelecidos acordos coletivos entres as partes, em que nem as empresas nem os trabalhadores saiam prejudicados, bem pelo contrário. Segundo, para que na Suécia haja estabilidade e paz social, as negociações entre as partes definem anualmente os aumentos salarias e a condições laborais, ajustadas á realidade de cada sector. Raramente existem greves e manifestações porque existe um equilíbrio entre patrões e sindicatos que garante estabilidade a todos.
Terceiro, a maioria dos trabalhadores suecos estão protegidos por acordos coletivos de trabalho. Por último e não menos importante, os acordos não cobrem apenas salários. Cobrem também reformas, indemnizações por doença, licenças parentais e outros direitos dos trabalhadores.
Em suma, com o modelo sueco podemos aprender que a justiça social não é só uma questão de esquerda ou de direita partidária, é uma questão de bom senso entre patrões e representantes dos trabalhadores, onde se deve criar uma sintonia para que ambos saiam satisfeitos.
Enquanto em Portugal continuarmos com patrões que acham que os trabalhadores são os escravos deles e continuarem com esta ganância de ganharem milhões e pagarem tostões, e acharem que para ser rico não basta 1 milhão é preciso ter 100 milhões nem que seja á custa do suor a quem pagam 900€/mês, não haverá modelo que nos salve.
3 de junho de 2026
Nuno Gomes - Baião