A presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, reuniu-se com o presidente do Conselho de Administração da Águas do Norte, António Cardoso, para expressar preocupação face aos atrasos nas obras no concelho, especialmente na reposição das valas e na pavimentação definitiva das vias intervencionadas.
A autarca transmitiu o descontentamento manifestado por muitos munícipes relativamente à demora na conclusão destes trabalhos, que têm causado constrangimentos significativos na circulação rodoviária e motivado várias reclamações junto da Câmara Municipal.
Apesar de reconhecer a importância das intervenções para a expansão das redes públicas de abastecimento de água e saneamento, Ana Raquel Azevedo defende que a execução deve ser acompanhada por uma reposição rápida e adequada das condições de circulação, para evitar a prolongação dos transtornos para moradores e automobilistas.
O executivo municipal tem maior preocupação com a aproximação do período de maior precipitação, alertando para o risco de agravamento das condições de circulação e dos incómodos causados à população devido à permanência de valas por repor e pavimentos sem intervenção definitiva.
Por isso, a presidente apelou à Águas do Norte para que acelere a conclusão das intervenções em curso, assegurando a reposição definitiva dos pavimentos com a qualidade e rapidez necessárias para restaurar as vias.
Além desta questão, foram discutidas outras preocupações relativas à gestão dos serviços de abastecimento de água e saneamento no concelho, nomeadamente a insuficiência de investimento na expansão das redes e as responsabilidades das entidades envolvidas.
A autarca sublinhou que uma parte significativa do território de Baião continua sem cobertura das redes públicas de abastecimento de água e saneamento, uma situação que considera incompreensível face às necessidades atuais das populações e à importância destes serviços para a qualidade de vida.
A questão das tarifas também mereceu destaque, com Ana Raquel Azevedo a manifestar oposição a eventuais novos aumentos que agravem os encargos das famílias. Defende maior justiça e convergência tarifária entre territórios.

A presidente chamou ainda a atenção para o papel ingrato da Câmara Municipal nesta matéria, pois são frequentemente os serviços municipais que recebem o descontentamento dos munícipes pelos atrasos e transtornos, embora a resolução dependa de decisões e intervenções que não estão sob a sua alçada.
Estas preocupações foram previamente transmitidas pessoalmente à Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, numa reunião realizada em Lisboa no dia 7 de outubro.
Entretanto, Baião juntou-se a outros sete municípios numa comunicação conjunta dirigida à Ministra, solicitando uma reunião urgente e intervenção do Estado para resolver os problemas financeiros e estruturais da Parceria Águas do Norte.
No documento, os municípios alertam para a necessidade de 220 milhões de euros em investimento para expandir as redes de abastecimento de água e saneamento e defendem que a sustentabilidade financeira não deve ser alcançada à custa de aumentos sucessivos nas faturas das famílias.
Os municípios apelam a uma intervenção efetiva do Estado que assegure o financiamento, corrija desequilíbrios e estabeleça um plano de investimento com responsabilidades e prazos definidos, garantindo que as populações não continuem a ser prejudicadas pela falta de soluções estruturais.
Fotos: Município de Baião.