Iniciativa da Energiekontor no parque eólico do Marão integra solução fotovoltaica de baixo impacto ambiental e prevê apoio direto à construção de um lar de idosos na União de Freguesias de Teixeira e Teixeiró.
O projeto de hibridização fotovoltaica associado ao Parque Eólico de Penedo Ruivo, na Serra do Marão, avança como um investimento estratégico para o futuro energético e social da região, ao combinar a produção solar com a infraestrutura eólica já existente.
Promovida pela Energiekontor, a iniciativa visa reforçar significativamente a capacidade de geração de energia limpa, ao mesmo tempo que introduz benefícios económicos e sociais para a União de Freguesias de Teixeira e Teixeiró.
Em declarações ao nosso jornal, o presidente da junta, Jorge Rodrigues, destacou a relevância desta aposta “lembro que o enquadramento contratual que a sustenta remonta a acordos firmados há cerca de duas décadas com a empresa responsável pelos parques eólicos do Marão. Esses acordos foram atualizados em 2020, momento em que foi apresentada uma adenda para integrar a componente solar”.

Segundo o autarca, esta evolução foi considerada extremamente positiva, não apenas pelo aumento substancial das rendas, mas também pelos compromissos assumidos pela empresa, entre os quais se incluem a requalificação de acessos, medidas reforçadas de prevenção de incêndios, a seleção de uma localização naturalmente discreta e o contributo para a economia local através da contratação de empresas do concelho.
Acrescentou ainda que “o parque ficará implantado num ponto afastado da Capela de Nossa Senhora do Marão e da aldeia de Mafómedes, sendo praticamente invisível a partir desses locais”.

O edil salientou que a adenda ao contrato foi aprovada por unanimidade pela Assembleia de Freguesia em 2021 e abre caminho para investimentos com impacto direto na população. Uma das prioridades identificadas é o financiamento da construção de um lar de idosos, uma necessidade cada vez mais urgente numa freguesia marcada pelo envelhecimento demográfico.
Para Jorge Rodrigues, este projeto social poderá finalmente avançar graças ao reforço de receitas proporcionado pela iniciativa, além de representar uma oportunidade de criação de emprego local. O autarca admite, porém, que os prazos poderão prolongar-se em virtude dos processos de licenciamento e construção, embora mantenha confiança de que o equipamento será concretizado.
Do ponto de vista ambiental, o projeto foi sujeito a um Estudo de Impacte Ambiental e está neste momento em avaliação por parte da Agência Portuguesa do Ambiente, o estudo conclui no entanto tratar-se de uma intervenção de efeitos maioritariamente reduzidos, localizados e controláveis. A estratégia passa pelo aproveitamento de infraestruturas já existentes, evitando novas ocupações dispersas no território e reduzindo assim a pressão sobre a paisagem. A localização escolhida, protegida pelo relevo da serra, garante que a central fotovoltaica seja praticamente impercetível a partir de pontos sensíveis como o Santuário do Marão. Está igualmente previsto um plano de integração paisagística que inclui a plantação de espécies autóctones, como sobreiros e carvalhos, contribuindo para a regeneração natural da vegetação envolvente e para o reforço da biodiversidade. As habitações mais próximas encontram-se a mais de 1,5 quilómetro, eliminando qualquer potencial impacto sonoro, e todo o património religioso e cultural da região permanece salvaguardado.
No plano energético, estima-se que o projeto permita evitar cerca de 4.200 toneladas de CO₂ por ano, reforçando o contributo da região para a transição energética e para os objetivos de redução de emissões. Para além disso, a hibridização do parque constitui um passo relevante no reforço da independência energética do país, diminuindo a dependência de fontes externas num contexto internacional particularmente instável.
Os estudos que fundamentam esta solução iniciaram-se em 2021 e envolveram a análise de diversas alternativas, com adaptações sucessivas destinadas a minimizar os impactos ambientais e a otimizar a harmonização com o território. Segundo a empresa promotora, o resultado é uma proposta equilibrada, que conjuga inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e valorização socioeconómica local.
O projeto de hibridização do Parque Eólico de Penedo Ruivo afirma-se, assim, como um exemplo de conjugação eficaz entre desenvolvimento sustentável e benefícios comunitários, com efeitos previstos a médio e longo prazo. Para além de fortalecer a produção de energia limpa, deverá criar novas oportunidades, promover melhores condições de vida e contribuir para o futuro da população de Teixeira e Teixeiró.