2026/04/25
Os quarenta e oito anos de ditadura fascista que vivemos em Portugal no chamado benevolamente Estado Novo, constituem um dos períodos mais sombrios da nossa História recente, sendo um acumular de perseguições, prisões, torturas e assassinatos daqueles que ousavam defender os direitos do povo à Liberdade, Igualdade, Justiça Social e Democracia.
Foram anos de intensa e heroica luta levada a cabo essencialmente pelo PCP, como única força política organizada, mas também por outros democratas, muitos dos quais tombaram para sempre nas prisões da PIDE e do Tarrafal.
A Revolução do 25 de Abril aconteceu, pois, como realização e construção dos mais elevados objectivos, cuja força perdura e vive nos dias de hoje como elemento incontornável do nosso País, na procura dum futuro melhor.
Um dos mais notáveis contributos para a Paz proporcionado pela Revolução de Abril foi, sem dúvida, o fim das guerras coloniais que ceifavam vidas e recursos e o reconhecimento da independência dos povos de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, até então submetidos ao colonialismo português, pois não é livre um País que oprime outros povos.

Cumpre-nos aqui lembrar a ação dos Capitães de Abril, que interpretaram fielmente a vontade do povo de mudança radical de governação, para finalmente podermos seguir o caminho da Liberdade, Igualdade e Democracia.
Não podemos também esquecer que da Revolução do 25 de Abril, nasceu a Constituição ainda vigente e considerada na altura uma das mais progressistas da Europa, apesar do texto constitucional que hoje temos não corresponder fielmente ao que foi aprovado em 1976, tendo sofrido alguns processos de revisão negativos, negociados pelos defensores das políticas de direita, aproveitando-se das conjunturas da Assembleia da República.
Não podemos deixar passar em claro o grave problema da pobreza em crescendo, mas também as situações do SNS, da Educação e da Habitação, entre outras, que nos indignam por provocarem ruturas sociais inadmissíveis.
Contudo, o actual texto constitucional ainda continua a consagrar um conjunto importante de princípios essenciais à promoção do desenvolvimento do País e de afirmação da soberania nacional que devemos defender a todo o custo, pois se os direitos que a Constituição hoje consagra forem fielmente cumpridos e respeitados, Portugal continuará a ser mais justo e desenvolvido, o povo viverá em melhores condições e o nosso futuro colectivo será certamente encarado com muito maior esperança e confiança. Aos jovens de hoje cumpre-nos exortá-los para o exercício salutar da cidadania, assim evitando que sejam surpreendidos por situações futuras que não desejem e possam colidir com os seus direitos e interesses.
Comemoramos de novo esta gloriosa data da nossa história recente num período conturbado e exigente, mas também de esperança plena num futuro melhor, pois a mudança é uma constante da vida e é na luta concreta, nos combates de hoje, que se constroem as alternativas e se criam as revoluções de amanhã, nesta luta contínua para a transformação do Mundo. Neste tempo de receios e incertezas, surge-nos à memória uma parte dos versos da célebre canção da Academia Coimbrã a dizerem-nos «é preciso acreditar, é preciso acreditar que a canção de quem trabalha é um bem para se guardar», canção esta ouvida em tempos difíceis de escuridão e repressão.
Viva o 25 de Abri!
PCP
Comissão Concelhia de Baião