2026/06/10
Camões é reconhecido como o maior vulto das Letras Portuguesas. A sua obra ímpar e genial coloca – o a par dos grandes autores europeus: Dante, Cervantes, Shakespeare, Molière, Goethe ou Tolstoi.
Desde a sua poesia Lírica à sua poesia Épica, passando pelo Teatro e Cartas, a obra camoniana impressiona pela sua qualidade estética de supina grandeza e inegável intemporalidade.
Composições em Redondilha Menor e Redondilha Maior deslumbram o nosso olhar ansioso de verdadeira poesia: endechas, trovas, epitalâmios, cantigas, sextinas, sátiras, vilancetes – todas elas ( sem esquecer as canções, as elegias, as éclogas ou as odes) constituem a porta de entrada para um magnífico universo poético dos incomparáveis sonetos e dos sempiternos “ Os Lusíadas” , que cantam para sempre “ o peito ilustre lusitano”, ou seja, os feitos do Povo Português.
“Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu quando os cotejo!
(…)
Modelo meu tu és,
Mas … ó tristeza! …
Se te imito nos transes da Ventura
Não te imito nos dons da Natureza”.
Bocage também ele grande poeta, mostrou – se deste modo rendido diante do esplendor da obra camoniana.
E com muitos outros, em Portugal e no estrangeiro, isso aconteceu, à medida que a Obra de Camões, especialmente Os Lusíadas, iam sendo traduzidos e divulgados pelo mundo fora.
Homem temperamental e apaixonado, consta que se envolveu de amor com algumas mulheres da Corte, sendo o caso de Catarina de Ataíde o mais referido.
Conhecido como bom espadachim, incorporou – se nas hostes portuguesas, tendo perdido o olho direito em Marrocos.
E acabou por ser exilado para o Oriente pelo rei Dom João III por ter acutilado um arrieiro do monarca.
Em Macau escreveria grande parte da sua Epopeia, que salvaria a nado quando, no regresso, a nau que o transportava naufragou no rio Mekong e onde teria morrido Dinamene.
Conseguiu chegar a Moçambique, onde viveu na maior penúria, sem dinheiro para pagar a viagem para Lisboa. Diogo do Couto, um dos importantes vultos portugueses da época renascentista, custeou – lhe a viagem que o fez chegar a Cascais, reencontrando a “ ditosa pátria (sua) amada”.
Por alturas do quarto centenário do seu falecimento, estudiosos como Luso Soares ou Borges Coelho fizeram estudos sobre a obra de Camões onde exemplificaram como o Poeta tinha uma visão progressista e dialética da História, glorificava os grandes feitos das Descobertas, não o colonialismo, que viria depois, enaltecia os avanços técnico – científicos e as alterações económico – sociais do seu tempo , como o Poeta amava o seu Povo e a sua Pátria e condenava os vícios, os desmandos e os roubos praticados na sua época, as malfeitorias dos chamados grandes deste mundo.
Também Saramago, nessa ocasião compôs a peça “ Que farei com este livro?”. A peça decorre entre a chegada de Camões a Portugal e a impressão da primeira edição d’ Os Lusíadas, onde Camões – personagem se interroga sobre como arranjar o dinheiro necessário para a impressão da Obra.
Poeta insubmisso, Camões falou da sua triste sina no seu poema “ O desconcerto do mundo”, triste sina essa que o levava a receber com meses de atraso a tença ( pensão) que lhe havia outorgado o Reino em recompensa da sua obra dedicada a D. Sebastião e à Pátria.
Apenas desempenharia um cargo durante a sua existência – o de Provedor dos Defuntos e Ausentes – cargo esse desempenhado durante a sua estada no Oriente.
Muito pouco para um dos mais ilustres portugueses de sempre .
Quase toda a sua Obra seria postumamente publicada.
E sofrendo a miséria, diz - se que apenas o servo asiático Jau que trouxera consigo lhe minorava a dor pedindo esmola para o ” Príncipe dos Poetas”.
Morreria abandonado numa enxerga, os contemporâneos ignorando o seu real valor.
No seu epitáfio constava a expressão “ Viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu “.
Só após a sua morte foi conduzido à imortalidade com pinturas, bustos, estátuas, filmes, e ruas e praças em seu nome.
E até como Patrono do Maior Prémio Literário criado em Portugal – o Prémio Camões -, atribuído a autores lusófonos, simbolizando a universalidade de Camões e da Língua Portuguesa.
A sua grandeza é efetivamente ímpar e eterna: está identificado com o próprio País e o próprio Povo Português.
No dia de Camões, todos os três, conjuntamente, celebram a mesma efeméride: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Natacha Fernandes