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O Comércio de Baião

2026/02/15

Autarquia de Mesão Frio apoia agricultores após rasto de destruição no concelho

Destaque

A Câmara Municipal de Mesão Frio está a prestar apoio direto aos agricultores do concelho cujas explorações foram fortemente afetadas pelas sucessivas intempéries registadas nas últimas semanas. As chuvas intensas e persistentes provocaram quedas de muros de suporte, deslizamentos de terras, danos em estufas e perdas significativas em diversas culturas, acumulando prejuízos elevados, sobretudo entre pequenos produtores.

O apoio municipal passa pelo acompanhamento técnico e pelo auxílio no preenchimento do formulário de declaração de prejuízos disponibilizado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). O documento permite sinalizar oficialmente os danos sofridos nas explorações agrícolas, contribuindo para a futura abertura de apoios no âmbito do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), destinado ao restabelecimento do potencial produtivo.

Atendimento no terreno

Durante o dia de ontem, o Gabinete de Apoio ao Agricultor registou vários atendimentos. A técnica municipal Eliana Correia ouviu agricultores e procedeu ao levantamento detalhado dos prejuízos.

Na freguesia de Oliveira, Hugo Pinto, proprietário da Quinta de Santana, contabilizou a queda de nove muros. “Os estragos são elevados, estamos a falar de milhares de euros. Só um dos muros, com 35 metros, ronda os 18 mil euros para repor, só em mão de obra”, refere, acrescentando que ainda existem estruturas em risco. Para minimizar novos danos, conseguiu encaminhar águas soltas de volta ao ribeiro, reduzindo a pressão sobre os muros ainda de pé.

Em Vila Marim, Nair Cardoso registou a queda de dois muros numa parcela de vinha logo no final de janeiro. “A terra já tem tanta água!”, lamenta, receando novas derrocadas. Também José Ferreira e Lurdes Lopes ficaram surpreendidos com a dimensão dos estragos numa parcela de vinha com cerca de 40 metros de muro totalmente colapsado. “Pensávamos que os estragos eram menores, mas quando chegámos percebemos que era um desastre”, relatam. Agora aguardam que as terras sequem, num cenário de incerteza quanto à produção.

Na freguesia de Barqueiros, Rogério Azevedo viu a sua estufa na parcela “Souto Ruivo” ficar seriamente danificada, incluindo a estrutura e o plástico de cobertura. Já Teresa Teixeira e José Teixeira, sócios de um horto junto à margem direita do Douro, registaram prejuízos em duas parcelas: numa delas, a subida do rio provocou a queda de um muro sobre os terrenos de cultivo, afetando também uma estufa; noutra, em Cidadelhe, ruiu um muro de suporte a um olival.

Apesar das perdas, Teresa Teixeira deixa uma palavra de reconhecimento: “Muito obrigada à Câmara Municipal e à Proteção Civil, que este ano foram incansáveis. Têm-nos comunicado com mais antecedência as cheias para nos precavermos”.

Também em Vila Marim, no lugar de Ventuzelas, Manuel Pereira contabiliza prejuízos na ordem dos 2.500 euros após a queda de um muro de suporte à vinha. Ester Camilo registou a derrocada de quatro muros em propriedades situadas em Valdorigo e nos Mochinhos, estando ainda a avaliar a totalidade dos danos. Já Francisco Lança reportou quedas de muros em várias parcelas na Rede e na Ilha de Cima, tendo uma das derrocadas atingido parcialmente a Estrada Nacional 101, causando constrangimentos temporários à circulação.

Mais de uma centena de participações

O apoio aos agricultores está também a ser reforçado pela Adega Cooperativa de Mesão Frio, em articulação com o Centro de Gestão Agrícola do Baixo Corgo. João Paulo Reis explica que o formulário “destina-se a registar todos os prejuízos identificados nas explorações agrícolas, quer nas plantações, quer nas infraestruturas, armazéns, sistemas de drenagem, acessos e queda de muros — que são os prejuízos mais frequentes”.

Segundo o responsável, “pelos registos que temos, Mesão Frio é mesmo o concelho onde há mais prejuízos”. Até ao momento foram efetuadas 137 participações no concelho, além de muitos registos submetidos individualmente ou através do Gabinete de Apoio ao Agricultor.

Atendimento mediante agendamento

O Gabinete de Apoio ao Agricultor funciona de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00, no edifício da Antiga Escola Primária Prof.ª Maria Angélica, mediante agendamento prévio através do contacto 254 890 100.

Os agricultores devem apresentar P3 atualizado, documento de identificação, descrição prévia dos prejuízos, contacto telefónico e email.

Embora não exista um prazo definido para a submissão do formulário da CCDR-N, é recomendado que os produtores efetuem o registo com a maior brevidade possível, para que o levantamento global dos danos no concelho e na Região Demarcada reflita com rigor a dimensão real dos prejuízos.

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