2026/04/30
Ex-ministro do Trabalho do I Governo Provisório destaca importância da luta popular e desafia juventude para cidadania democrática
Avelino Gonçalves, antigo ministro do Trabalho do I Governo Provisório, esteve presente na Escola Básica 2,3 de Ancede, em Baião, a convite da Direção da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Eiriz. A iniciativa, sugerida por Natacha Fernandes, membro da Direção, foi ocasião para um diálogo sobre a Revolução dos Cravos e a construção da democracia em Portugal.
Avelino Gonçalves foi ministro durante cerca de dois meses e assumiu um papel decisivo na melhoria das condições laborais em Portugal, com a criação do Salário Mínimo Nacional, o direito a férias remuneradas, a contratação coletiva para assegurar o princípio de “Trabalho Igual, Salário Igual” e o direito de Associação. Estas medidas permitiram a existência de associações culturais, de convívio, recreação e desporto para os portugueses.

O antigo ministro esteve acompanhado por Cláudia Santos, membro do Comité Central do Partido Comunista Português e responsável pela atividade dos comunistas na Região do Tâmega e Sousa. Natacha Fernandes ofereceu aos jovens estudantes cravos vermelhos, símbolo da Revolução do 25 de abril e da conquista da liberdade, e entregou a Avelino Gonçalves uma bengala artística de Gestaçô, Património Cultural Imaterial Nacional, fabricada na terra de Soeiro Pereira Gomes, grande camarada do ex-ministro e pioneiro na defesa da escola pública para todas as crianças e jovens portugueses.
No diálogo com os estudantes, Avelino Gonçalves referiu que "a Resistência popular inspirou certamente aquele que viria a ser o Programa do Movimento das Forças Armadas, ou seja: Democratizar, Desenvolver e Descolonizar. Eram evidentes exigências do povo português ultrapassar carências, acabar com opressões e pôr fim à morte de jovens portugueses mobilizados para a guerra colonial."

Questionado sobre o impacto do seu curto mandato ministerial, respondeu que "foi pouco tempo. Mas o que marcou aqueles dias foi muito mais a luta popular nas ruas e nos locais de trabalho do que a ação dos ministérios. Mais do que decretos, foi a luta popular que fez avançar o país."
Sobre a sua atividade para a consolidação do regime democrático, afirmou: "Antes de mais, as que competem a qualquer democrata – apoiar as políticas justas e solidárias e combater as contrárias aos interesses do Povo. Naturalmente considero também que ter sido militante e dirigente sindical, ativista de associações culturais e populares, deputado municipal ao longo de nove anos e militante do PCP desde há sessenta anos foi também um modo de contribuir para o êxito do regime democrático."
Quanto ao significado do encontro com os jovens, Avelino Gonçalves frisou: "Achei que devia atender à solicitação da Associação de Pais porque me parece muito importante despertar a Juventude para uma cidadania sã, solidária e democrática. Penso que a minha participação, embora curta, contribuiu para esses objetivos."
Por fim, refletiu sobre a plenitude do ideário do 25 de abril na atualidade: "A construção de uma sociedade democrática não está nunca definitivamente constituída. A Democracia exige sempre o mais persistente e apaixonado dos esforços. Podemos interrogar-nos se tudo está cumprido em relação à saúde, à educação, à cultura, à habitação. Vivemos todos uma situação de bem-estar e de felicidade"