2025/11/30
A Vila de Mesão Frio viaja no tempo este fim de semana, com mais uma edição da Feira Anual de Santo André, que conta com a recriação do Mercado Medieval cheio de música, dança, teatro e recriações históricas. Ao longo de todo o dia, o Pelourinho, a Residência, a Rua do Balcão e o Auditório Municipal vão-se transformar em palcos vivos de animação.
A abertura oficial do recinto foi hoje de manhã, no Pelourinho, seguindo-se o primeiro espetáculo de rua: Barro Negro, às 10h30. A manhã continuou com danças medievais, gaitas-de-foles e tambores, a cargo de vários grupos convidados, como Passos do Passado e Corvos del Rey.
Durante a tarde, o ambiente medieval contará com a atuação de trovadores, danças orientais, teatro itinerante e bênçãos simbólicas que prometem transportar os visitantes para outras eras. Destaque para as atuações de Barro Negro, Tribo Tá-Meri, e para os divertidos contos e fábulas do Teatro Assombrado, que surgem em vários horários.
A partir das 17h30, a animação estende-se também às tabernas, com os Viajantes do Tempo a conduzirem balbúrdias típicas de época, reforçando o espírito festivo do evento.
A noite promete ser ainda mais intensa, com espetáculos que combinam música, teatro e fogo. Pelourinho recebe, a partir das 21h00, nova atuação dos Corvos del Rey, seguida do impressionante espetáculo de fogo Rita Miguel Fire Dragons, às 21h30. O encerramento da programação faz-se em ambiente festivo, com o espetáculo FireMage, às 22h00, e a atuação do DJ Gaiteirinho, às 23h00.
Com uma programação diversificada e destinada a todas as idades, a Feira Medieval de Santo André promete atrair centenas de visitantes, revitalizando o centro histórico de Mesão Frio e celebrando as tradições que marcam a identidade local.
Em declarações ao nosso jornal, o presidente da Câmara Municipal de Mesão Frio, Paulo Silva, abordou o Mercado Medieval inserido na programação da Feira Anual de Santo André, referindo que “É uma feira ancestral, já com séculos de história. Começou na sexta-feira, com pessoas de Mesão Frio, foi um evento musical em que participou a Escola de Música dos Alio Virio, em colaboração com a câmara, que é um protocolo que nós temos aqui instituído para a criação da Escola de Música, que está a dar os seus primeiros passos, mas também que já se reflete algum trabalho e bom desempenho por parte dos jovens e os séniores que também fazem parte”.
Continuou acrescentando “ontem foi o dia da chegada do Pai Natal, com a inauguração do sistema de luz, que é o Natal na Avenida e hoje continuamos com a abertura da Feira Medieval e o ponto alto, que é um ponto cerimonioso, que é o dia do município. É um evento institucional, muito forte, com um impacto muito forte na comunidade, porque é onde nós homenageamos quer colaboradores da autarquia, quer pessoas que se distinguiram ao longo da sua vida, também instituições e associações que vão fazendo o seu papel e vão construindo esta realidade que é a nossa pequena comunidade inserida aqui no contexto «Douro Vinhateiro»”.
Referiu ainda que o tema do seu discurso foi sobre o trabalho, isto por considerar que “O trabalho, o trabalhador, porque vem mesmo a propósito, que são tempos difíceis para esta classe, na qual eu me insiro e, eu não podia deixar passar em claro este tempo em que há um ataque aos trabalhadores e nós temos que nos proteger. Portanto, enquadrando isto no Douro Vinhateiro, que tanta gente aprecia e protegendo também o trabalho deles, ainda não estamos no ponto em que o produto é valorizado, aliás, ele nem é pago, portanto não podíamos perder mais tempo para não puxarmos esse tema à liça e à discussão e ao conhecimento de todos quantos nos visitam”.
Quanto à feira medieval “é uma espécie de um recordar de tempos idos, nós temos que nos lembrar e deixar um bocado ao de leve o pensamento do crítico, que antigamente é que era bom. Não, nós temos que viver o nosso tempo. Até ainda bem que houve progresso, porque se não houvesse progresso ainda andávamos todos cheios de frio, cheios de fome, portanto nós temos é que saber adaptarmo-nos ao progresso. Felizmente hoje vive-se melhor, eu condeno muito quem vem com a teoria do tempo de Salazar é que era bom, esquece-se que no tempo de Salazar havia fome, eu tive colegas de escola que vinham em pleno inverno descalços para a escola, ou de socas, nem umas meias tinham, portanto só que as pessoas que têm a liberdade e este bem-estar adquirido não se lembram”.
Acrescentou “Esta feira tem muito a ver com o Mesão Frio, uma terra de trabalho, uma terra de sacrifício, uma terra do interior, uma terra fria, nós fazemos questão de ter uma feira moderna, onde já se paga por MBway e cartões de plástico, também irmos buscar esse tempo histórico, porque é a nossa tradição, quem não honra a sua história, não honra o presente e muito menos o futuro”.
A terminar salientou que “temos aqui expositores de diversos pontos da região, que é a tradicional feira do burro, em que as crianças já hoje de manhã estiveram com eles, adoraram, participaram e quiseram andar, mexer nos animais”.