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O Comércio de Baião

2026/03/31

Santa Casa da Misericórdia de Baião contrata entidade externa para gerir direção clínica do Serviço de Saúde

Destaque

Decisão visa garantir estabilidade e melhorias no funcionamento da unidade clínica, sobretudo na área da Medicina Física e Reabilitação

A Santa Casa da Misericórdia de Baião anunciou a contratação de uma entidade externa, reconhecida pela sua reputação e capacidade de escala, para assumir a direção clínica do seu Serviço de Saúde.

A medida, decidida unanimemente pela Mesa Administrativa, foi comunicada em Assembleia Geral na última quinta-feira, dia 26 de março e procura reverter resultados negativos acumulados na unidade clínica, assegurando continuidade e qualidade nos serviços à comunidade.

Para esclarecer este assunto, o nosso jornal, entrevistou o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Baião, José Carvalho.

Jornal “O Comércio de Baião” (CB)- Foi na última Assembleia Geral que fizeram uma proposta para contratar uma visão externa para o Serviço de Saúde, correto?

José Carvalho (JC) - Sim, exatamente. A unidade da clínica, sobretudo a Medicina Física e Reabilitação e a área clínica em geral, acumulou ao longo dos anos resultados negativos, mais ligados à área clínica do que propriamente à Medicina Física e Reabilitação. Estes resultados consomem recursos da instituição e afetam os resultados globais. Esta unidade deveria ser rentável e, idealmente, sustentar as unidades sociais, e não o contrário.

CB - Quais as medidas que foram tomadas até agora para alterar essa situação?

JC - Ao longo dos anos, adotámos três eixos principais. Primeiro, o desenvolvimento da atividade procurando criar uma dinâmica diferente através da publicitação, seja em jornais ou nas redes sociais. Em segundo lugar, a atração de clínicos e a implementação de novos protocolos. Contudo, deparámo-nos com um problema de escala, pois se um médico tem a mesma oferta em Penafiel, ele prefere lá ficar a Baião. Fomos suportando esta situação até ao momento em que a Mesa Administrativa ponderou outra alternativa.

CB - Que alternativa foi essa?

JC - Decidimos que a Medicina Física e Reabilitação, que é a parte rentável, deveria ser ampliada. Todavia, não quisemos fazê-lo por achar que seria prestar um mau serviço à comunidade. Surgiu então uma terceira via: a contratação dos serviços clínicos e operacionais de uma entidade externa, bem conhecida e de elevado nível, que possui escala suficiente para a resposta necessária. Ou seja, garantir que, quando se precisa de um médico ou fisioterapeuta, o utente tem essa possibilidade, sem precisar cancelar tratamentos por baixa do profissional.

CB - Houve alguma controvérsia sobre esta decisão?

JC - Talvez tenha existido alguma confusão porque a convocatória da Assembleia seguiu o período normal de 15 dias, portanto não podíamos falar antes. Os irmãos deviam ser os primeiros a saber, e a Assembleia foi a primeira a ter conhecimento, na quinta-feira passada. Consideramos agora que é altura de informar a comunidade. A Misericórdia, sendo uma entidade de direito privado, permite à mesa administrativa executar este tipo de atos, e foi isso que fizemos, apenas informando a Assembleia, pois não se tratava de uma deliberação a ser aprovada por ela.

CB - Quais os efeitos desta contratação externa?

JC - Teremos uma entidade a assumir a direção clínica. Acredito que Baião passará a ter uma dinâmica diferente neste edifício e no Concelho. É fundamental referir que este edifício, que funcionou como hospital, foi construído com a colaboração de todos. Em 1974, a Misericórdia foi expulsa daqui e ficou sem atividade até 1977, passando por anos difíceis. Quando o Estado abandonou o edifício, a Misericórdia voltou a reconstruí-lo e hoje funcionam aqui várias valências, incluindo a Unidade de Saúde, que queremos que seja forte, capaz de atrair clínicos e oferecer às pessoas em Baião as mesmas respostas que poderiam ter em Penafiel ou no Marco. A grande questão é essa: dar uma resposta adequada à população.

CB - Acha então que a Misericórdia está a dar uma resposta eficaz?

JC - Sim, esta é mais uma resposta positiva e mostra que a Misericórdia é uma instituição vital, que trabalha para os seus utentes, irmãos e comunidade. Estou cá desde 2010 e sempre disse que respondo livremente às perguntas. Esta decisão da mesa administrativa foi unânime e até mais convicta do que eu próprio. Do ponto de vista económico, social e clínico, considero que é a medida certa. Portanto, está tudo resolvido e era isto que tínhamos para comunicar.

CB - Para clarificar, a direção clínica passará a ser externa?

JC - Exatamente. Não quisemos aumentar a área da Medicina Física e Reabilitação porque isso prestaria um serviço inadequado. A palavra-chave aqui é escala: não podemos trabalhar em pequenos 'quintais', precisamos de um grande 'quintal'. Com uma entidade externa, podemos garantir respostas mais completas e eficazes sem perder valências.

CB - Isso significa que os trabalhadores perderão algum direito ou valência?

JC - De forma alguma. Os trabalhadores permanecerão funcionários da Misericórdia. Nada será perdido, tudo está salvaguardado. A Misericórdia passará a ter uma receita fixa, garantindo as respostas sociais, independentemente dos resultados da clínica. Se houver lucro, a Misericórdia receberá uma parte proporcional. Este é um modelo muito interessante.

CB- Há algum risco associado a esta medida?

JC - Os riscos são muito baixos. Quero reforçar que esta mesa não cede a interesses pessoais ou corporativos. A responsabilidade é única e exclusivamente para com a Misericórdia, os irmãos e os utentes. Por isso estamos aqui. Esta decisão foi comunicada aos irmãos, que compreenderam perfeitamente, pelo que não houve necessidade de votação ou questões durante a Assembleia.

CB - Considera que este é um ponto de viragem para a Misericórdia?

JC - Sim, sem dúvida. Refiro que a Misericórdia tem tomado várias medidas estruturais nos últimos anos, sempre saindo da zona de conforto. Centralização da cozinha, da lavandaria, reconstrução deste edifício... todas foram medidas estruturais e fizeram a Misericórdia crescer. Esta é mais uma delas, e acreditamos que continuará a fazer crescer a instituição.

CB - Foram tomadas todas as providências para o sucesso desta medida?

JC - Exatamente. É uma solução fácil de implementar e eficaz.

CB - A fisioterapia será alargada e terá uma melhor resposta com esta mudança?

JC - Esse é o nosso objetivo. A entidade escolhida é tecnicamente muito evoluída no tratamento, na gestão dos espaços e nas inovações da área. Tenho quase a certeza de que Baião ficará muito bem servido nos próximos anos.

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