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O Comércio de Baião

2026/05/15

“Uma canção serve momentos, não o momento” afirma Miguel Angelo em entrevista ao jornal “O Comércio de Baião”

Destaque

O músico reflete sobre a transformação das suas obras e a importância do encontro ao vivo com o público

Uma das figuras marcantes da música portuguesa é, sem dúvida, Miguel Angelo, vocalista dos Delfins, que estará presente em Baião no dia 22 de maio, entre as 21 e as 23 horas, no decorrer da FELIBA – Feira do Livro de Baião.

Este evento vai decorrer no Auditório Municipal de 21 a 23 de maio, reunindo público, escritores e iniciativas culturais que junta literatura, música e artes performativas.

O artista protagoniza uma conversa-concerto intitulada "Conta-me Histórias", onde a palavra escrita se cruza com a música, criando uma experiência cultural única e intimista.

Miguel Angelo mostrou a sua disponibilidade para falar ao nosso jornal, pelo que de imediato aceitamos. Seguidamente publicamos o diálogo que tivemos para conhecimento dos nossos estimados leitores:

Miguel Angelo partilha histórias e significado das suas canções na Feira do Livro de Baião

O músico reflete sobre a transformação das suas obras e a importância do encontro ao vivo com o público

Miguel Angelo revela que a canção "Solta os Prisioneiros", originalmente escrita para a peça de teatro "Breve Sumário da História de Deus", de Gil Vicente, acabou por se transformar numa canção de luta do povo timorense durante a prisão de Xanana Gusmão.

O artista destaca a importância de contar uma música antes de a cantar em palco, explicando que embora direcione as canções, reconhece que cada pessoa as interpreta à sua maneira. "Tento também explicá-la sempre de modo diferente porque afinal uma canção serve momentos e não o momento", afirma.

Sobre as histórias que prefere partilhar, Miguel Angelo destaca as do músico, considerando que, apesar de tudo estar ligado, a música é o que o move principalmente na sua carreira pública, mais do que os aspetos pessoais ou sociológicos.

O cantor também reconhece que algumas das suas canções ganharam novos significados com o passar do tempo e as diferentes fases da sua vida. "Nós mudamos e as canções também acompanham essa mudança. Não acredito muito que a arte fique cristalizada e circunscrita ao momento em que foi criada", explica.

Em relação ao encontro ao vivo entre artista, palavras e música, Miguel Angelo considera que "a carne" é o que torna especial esse momento, especialmente numa era dominada por algoritmos e tecnologia digital. "O corpo, a música ao vivo e as palavras 'ao vento' marcam a diferença", sublinha.

Quanto ao que o público pode esperar da conversa-concerto na Feira do Livro de Baião, o músico promete uma noite única. "Estas conversas-concerto são sérias, mas informais, dependem muito da 'sala', da contribuição do público e das perguntas de quem conduz a conversa", adianta. Miguel Angelo estará acompanhado por Mário Andrade na guitarra elétrica e espera que seja uma experiência especial para todos os presentes.

Foto: créditos a Humberto Mouco

 

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