Em
O Comércio de Baião

2026/02/13

Entrevista à Presidente da Câmara Municipal de Baião Ana Raquel Azevedo

Destaque

No atual contexto de desafios e oportunidades que se colocam ao concelho de Baião, a liderança autárquica assume um papel determinante na definição de estratégias e prioridades para o futuro. À frente dos destinos do município está Ana Raquel Azevedo, presidente da Câmara Municipal de Baião, que tem acompanhado desde a sua tomada de posse de perto as principais áreas de intervenção do executivo, desde o desenvolvimento económico e social, à valorização do território e à proximidade com a população. Nesta entrevista, abordamos os principais projetos em curso e perspetivamos os desafios que se colocam ao concelho nos próximos tempos.

Jornal “O Comércio de Baião” (CB)- Assumiu a presidência da Câmara Municipal de Baião muito recentemente. Como descreve este início de mandato?

Ana Raquel Azevedo (ARA)- Como o maior desafio de toda a minha vida. Ser mãe também o é, mas são âmbitos muito distintos. Diria que estes primeiros 100 dias foram intensos, exigentes e de uma aprendizagem diária e contínua.  Em equipa, tivemos de garantir em muito pouco tempo, três dimensões essenciais: uma transição estável e confortável para toda a estrutura da Câmara Municipal de Baião (CMB), um conhecimento rápido e transversal de todos os dossiers em andamento e, ao mesmo tempo, começar a preparar um orçamento municipal que nos permitisse começar a concretizar algumas medidas do nosso programa eleitoral ainda este ano. Foi um período de muita aprendizagem, muita auscultação aos serviços municipais, aos presidentes de junta de freguesia e às instituições do concelho.  Ao mesmo tempo, não quisemos descurar a proximidade que queremos manter com os baionenses e, por isso, os nossos dias têm sido longos e exigentes, mas estimulantes e com muita vontade e energia de darmos o nosso melhor em prol do nosso concelho.

CB- O que mais a surpreendeu positivamente — e negativamente — desde que começou a exercer funções?

ARA- Surpreendeu-me muito positivamente a forma como tenho sido recebida pelos baionenses: em todo o lado sou interpelada, acarinhada com desejos de boa sorte e de muito sucesso. Confesso que tem sido de uma alegria imensa, principalmente em visitas às escolas, ser imensamente abraçada por jovens e crianças, demonstrando que afinal as gerações mais jovens não estão assim tão afastadas da política. Surpreendeu-me também a enorme dedicação dos colaboradores municipais para, não só assimilarem e planearem a nova linha estratégica que este executivo municipal quer executar, mas também para assumirem metas ainda mais exigentes.

Negativamente, deparei-me com alguns constrangimentos que, apesar de não serem novos para mim, se tornam mais claros quando lideramos estruturas dentro da Administração pública: processos demasiado burocráticos e prazos longos para decisões simples. Isso obriga-nos a dedicar muita energia a resolver questões administrativas, quando gostaríamos de estar apenas focados em implementar projetos. Encaro isso com positividade e acima de tudo com muita resiliência, para sermos “mais teimosos” do que os procedimentos administrativos.

CB- Que diferenças sentiu entre a ideia que tinha do cargo e a realidade do dia a dia?

ARA - Ao longo dos meus oito anos de política ativa, contactei com muitos autarcas e com muitos Presidentes de Câmara e tinha uma ideia clara que era um cargo que implicava uma disponibilidade total e uma dedicação plena, dada a abrangência de decisões que um Presidente tem de tomar. Mas, na verdade, uma coisa é ter conhecimento do desafio, outra coisa é ocupar o cargo: a intensidade dos nossos dias é difícil de colocar em palavras.

Em cada hora do nosso dia há sempre urgência na decisão, um peso da responsabilidade que devemos e colocamos em cada matéria e acima de tudo, um sentimento constante que as vinte e quatro horas dos nossos dias são insuficientes para tudo o que queremos fazer.

Há um balanço diário que é difícil de gerir, entre o planeamento e a visão estratégica que queremos implementar a longo prazo e os problemas concretos e urgentes que temos de resolver todos os dias: um muro que caiu, uma família que precisa de apoio, um empresário que quer investir e precisa de uma resposta rápida e é nessa gestão diária e de equilíbrio difícil, que está a pedra angular de uma boa governação.

CB- Quais foram as prioridades que definiu para este mandato?

ARA - As prioridades deste mandato são aquelas que defendi durante toda a campanha e que nos trouxeram até aqui: a economia e o emprego, a habitação e a coesão social e intergeracional.

Na economia e no emprego, estamos a trabalhar para constituirmos a equipa do “Baião Atrai” que tem objetivos muito claros: transformar Baião num concelho atrativo para viver, investir e criar emprego. Queremos simplificar processos, dar segurança a quem quer investir e divulgar as potencialidades únicas do nosso território, encetando conversações com as mais variadas instituições e empresas para atração de investimento para o concelho.

Tudo isto tem de ser aliado a mais projetos em andamento, o que entronca também no segundo pilar, a habitação. Todos aqueles que pretendam construir ou reconstruir em Baião para fins habitacionais, têm de ter uma resposta mais célere e, por isso, enquanto estamos a fazer um trabalho de análise interna e externa dos constrangimentos existentes e a preparar uma reorganização dos serviços do urbanismo, contratamos um arquiteto sénior para aumentar a nossa resposta e os resultados já começam a aparecer, uma vez que temos recebido muito feedback positivo sobre a tramitação dos processos nas últimas semanas.

Por fim a coesão social e intergeracional: se por um lado precisamos de fixar jovens e famílias no concelho, por outro lado não podemos descurar o apoio aos nossos idosos e ao seu envelhecimento ativo. Estamos neste momento a encetar conversações com todo o setor social do concelho para aumentar a rede de apoio aos séniores e acima de tudo, alargar a oferta dos Centros de Relação Comunitária.

CB- Que marca pessoal quer deixar em Baião?

ARA - Ninguém faz nada sozinho e ao longo do meu percurso sempre tive a ambição de procurar os melhores para travarem as lutas mais difíceis comigo. Consequentemente, não quero deixar uma marca pessoal, mas sim uma marca coletiva, ou seja, do executivo municipal porque felizmente temos uma equipa multidisciplinar, preparada e focada em fazer acontecer todos os dias. Isso implica a nossa dedicação plena para cumprirmos todos os nossos compromissos eleitorais e é através desta estratégia plasmada no nosso programa eleitoral, que acredito que Baião sairá da estagnação em que se encontrava quando tomamos posse.

Obviamente que qualquer Presidente da Câmara quer deixar o seu concelho melhor do que o que encontrou: mais desenvolvido, mais justo e com mais e melhor qualidade de vida para os seus munícipes, mas eu ambiciono ir ainda mais longe: gostava que todos os baionenses sentissem que este novo executivo municipal é próximo de cada um deles, que ouve, que reflete com eles, que explica as suas decisões e que admite, quando as circunstâncias assim o exigem, que está errado. As pessoas estão cansadas de políticos “em cima do pedestal”, distantes e que nunca admitem que erram.

Eu pertenço a uma nova geração de políticos que quer estar ao lado dos cidadãos, no terreno. Sinto a responsabilidade de provar que é possível fazer política com autenticidade e sensibilidade, sem esquecer a competência e o rigor. Quero continuar a ser eu mesma: corajosa, resiliente, mas sensível e humana.

CB - Como quer imaginar o concelho de Baião no final deste mandato?

ARA - Todos os dias, a caminho da Câmara Municipal, gosto de me lembrar porque é que me propus a este desafio. A resposta é simples e do conhecimento geral de todos: para mudar o rumo dos últimos 20 anos, para tornar Baião muito mais do que aquilo que é. Está vontade e ambição é refletida na imagem de um concelho que proporciona melhores condições de vida aos seus concidadãos, um concelho que combate a emergência demográfica em que nos encontramos.

Um concelho que abre as suas portas ao mundo para a captação de investimento, com as condições reunidas para que o comércio local possa prosperar, um concelho onde é possível fixar empresas e famílias e onde um licenciamento não demore anos.

Vejo um concelho onde os jovens encontram aqui um projeto de vida, seja através de emprego local, seja com condições para trabalhar remotamente para o mundo a partir de Baião. Vejo também uma rede de respostas sociais mais robusta, que olhe para os nossos idosos com respeito e dignidade, combatendo a solidão e garantindo cuidados de proximidade.

E imagino um território ainda mais cuidado, com espaços públicos requalificados, rios e paisagens valorizados e uma oferta turística que gera riqueza sem descaracterizar aquilo que nos torna únicos.

CB- Baião aprovou recentemente o maior orçamento da sua história. O que torna este orçamento diferente dos anteriores?

ARA - O orçamento para além de ser um documento técnico, é acima de tudo um documento político onde está vertida a estratégia e as opções para o ano em vigor.

Quando tomamos posse, existiam duas hipóteses: elaborávamos o orçamento em apenas um mês e este não verteria toda a nossa estratégia ou apresentávamos o orçamento mais tarde, mais próximo da nossa visão, com a desvantagem da autarquia ser gerida em regime de duodécimos até à aprovação do mesmo.

A resposta foi clara para nós: preferimos um documento que assenta numa transição equilibrada entre executivos diferentes, sem grandes disrupções prematuras, e com a preocupação de promover uma estabilidade administrativa, embora, naturalmente, este documento aprovado não reflita totalmente a nossa visão estratégica, mas apenas os primeiros passos da mesma.   

Acima de tudo, o que torna este orçamento diferente é quem o executa: um orçamento pode ser tecnicamente sólido e ambicioso, mas se não for devidamente executado perde a sua utilidade, é por isso que, na capacidade, no rigor e na responsabilidade de quem o executa que reside a verdadeira diferença entre a intenção e o resultado.

CB- Quais as áreas que concentram maior investimento e porquê?

ARA - Este orçamento, de quase 37 milhões de euros e que é de facto o maior de sempre, tem como ponto de partida o mote “Pelo futuro que juntos vamos construir”, que materializa a ideia de que só todos juntos podemos levar Baião a bom porto.

Este orçamento assenta num triângulo absolutamente prioritário para este executivo que lidero: a economia, o emprego e a habitação e por isso reflete uma aposta no crescimento da atividade económica e no apoio ao nosso tecido empresarial. Destaco a criação da equipa “Baião Atrai”, a adoção de políticas fiscais mais atrativas e medidas concretas para captar investimento e criar emprego. Não podemos esquecer a educação, com apoio às escolas, aos transportes e às refeições escolares, e reafirmamos o nosso compromisso com a coesão social, com medidas concretas não apenas para os mais desfavorecidos, mas também para a classe média, tantas vezes esquecida.

Ainda que tenhamos tido muito pouco tempo para o adequar totalmente à nossa visão, não abdicamos de colocar já algumas medidas que farão a diferença já este ano, como por exemplo a atribuição de um seguro de saúde a todos os bombeiros e a atribuição de 1.200,00 € por cada criança que nasça e resida em Baião, para gastar no nosso comércio local.

As freguesias são também parte importante da coesão territorial do nosso concelho e, por isso, após um diálogo com os Senhores Presidentes de Junta, reforçamos os apoios financeiros às freguesias: aumento de 33% para as limpezas de vias, um desiderato que merece investimento, um acréscimo de 20% nas transferências de capital, garantindo maior autonomia às freguesias para concretizarem os compromissos assumidos com os seus eleitores e um aumento do valor por km para o transporte escolar. Demonstra também o nosso compromisso de trabalharmos de igual forma com as quatorze freguesias do nosso concelho.

CB- Como garante que este aumento orçamental se traduz em melhorias reais na vida dos baionenses?

ARA - Com trabalho, dedicação e muito empenho para tornar concretizável o nosso programa. Passaram poucos meses após a eleição e uma maioria clara demonstrou nas urnas que prefere o nosso programa eleitoral. Essa legitimação é a maior força que podemos ter na execução do mesmo, aliando à confiança depositada por oito dos dez presidentes de junta eleitos pelo partido socialista, que demonstraram através de um gesto de responsabilidade e compromisso, que foi feito um esforço no encontro de pontos comuns entre os nossos compromissos eleitorais e acima de tudo, uma relação de lealdade institucional e de trabalho profícuo entre as partes.

CB - Há projetos estruturantes incluídos neste orçamento que considera verdadeiramente transformadores para o concelho?

ARA - Este orçamento inclui projetos estruturantes que considero verdadeiramente transformadores para o concelho, não apenas pela sua dimensão, mas sobretudo pela visão estratégica que encerram. Não me identifico com a lógica de manter projetos “na gaveta” à espera de momentos politicamente mais convenientes, acredito que o desenvolvimento exige planeamento, coragem e ação no tempo certo. É por isso que, já em 2026, vamos avançar com os primeiros passos concretos de projetos determinantes para o futuro de Baião. Falo, concretamente, do Fórum Municipal do Tijelinho e do Museu do Avesso, cujos estudos e projetos estão já contemplados neste orçamento. Trata-se de investimentos que reforçam a identidade cultural do concelho, valorizam o território e criam condições para dinamizar a economia local, o turismo e demonstram a nossa vontade de colocar o concelho de Baião de portas abertas ao mundo.

CB- Baião enfrenta desafios como a desertificação e o envelhecimento da população. Que respostas concretas estão previstas para estes problemas?

ARA - Este é talvez um dos nossos maiores desafios, porque os índices demonstram que estamos em emergência demográfica e por isso não há tempo a perder no combate ao despovoamento.

Neste momento, encetamos um debate alargado de ideias com todas as instituições sociais do concelho para avaliar formas de reforçar a resposta social existente no território, nomeadamente através do alargamento de horários e da diversificação da oferta disponibilizada às famílias e aos utentes nos Centros de Relação Comunitária. O nosso objetivo é que não haja nenhum idoso em Baião que queira ser acompanhado pelos nossos Centros e não haja essa possibilidade. Somado a isso, essa resposta deve ser a mais completa e diversificada possível, operacionalizada por profissionais de diferentes áreas. Desde a primeira hora que decidimos fazer diferente e chamar à mesa as IPSS pelo conhecimento e experiência que possuem nesta área. Para além disso, estamos a preparar a descentralização de aulas da Universidade Sénior para a vila de Santa Marinha do Zêzere, em articulação com a Junta de Freguesia e os serviços municipais.

Para fixarmos pessoas temos de ter habitação e Baião dispõe de instrumentos concretos: Execução da Estratégia Local de Habitação e do Programa 1.º Direito, com construção e reabilitação de habitação em regime de arrendamento apoiado e parcerias com o IHRU para a construção de apartamentos em regime de arrendamento acessível.

Reuni com o Presidente do IHRU, Benjamim Pereira, para fazer o ponto de situação destes instrumentos e o resultado foi francamente positivo. Nem tudo neste processo correu bem e há problemas, nomeadamente ao nível do protocolo estabelecido que estamos a tentar resolver, mas não temos dúvidas que esta parceria vai ser profícua para o concelho. Nenhuma autarquia resolve sozinha a crise, mas podemos reduzir barreiras, aumentar a oferta e orientar corretamente os apoios.

Queremos ainda criar um programa de incentivo à construção e arrendamento, no qual o município assume a posição de inquilino, dá garantias e benefícios fiscais ao proprietário e subaluga as habitações a preços acessíveis, um programa denominado Baião Arrenda.

CB - Que papel podem ter os jovens no futuro do concelho e que incentivos estão a ser criados para os fixar?

ARA - Os jovens não são o futuro de Baião, já são o presente do mesmo e ao longo dos últimos anos foram-se sentindo abandonados pelo seu próprio concelho.

As políticas de fixação de jovens no concelho não podem ser medidas avulso, mas sim um conjunto de medidas e de decisões que, no global, facilitem a fixação dos mesmos.

Para além da devolução gradual de 5% do IRS às famílias sujeitas ao mesmo, que neste orçamento já se materializa na devolução de 1%, aumentado assim o rendimento disponível, estamos já a trabalhar no regulamento de atribuição de um incentivo de 1.200,00 € por bebé que nasça e resida em Baião, a utilizar no comércio local.

Não há fixação de jovens sem emprego e por isso a equipa Baião Atrai terá um papel preponderante neste tema e para jovens mais empreendedores, em parceria com a AEB, iremos abrir brevemente uma incubadora de empresas. A aceleração da resposta do gabinete do urbanismo será também preponderante para que nenhum jovem desista de viver na sua terra natal.

CB - Que estratégias estão a ser implementadas para dinamizar a economia local?

ARA - Nesta primeira fase, o que me parece mais premente é ouvir o comércio local, os empresários e perceber o que podemos fazer por eles, dentro do nosso raio de atuação. Nesse sentido, temos realizado visitas mensais ao comércio local e a receção tem sido extraordinária: os empresários falam sobre os seus problemas, as suas preocupações, mas também sobre as suas ambições. Estamos a recolher esses contributos e a resolver rapidamente problemas que nos reportam e de fácil resolução.

Não esquecemos a aspiração de reforçar as áreas de acolhimento empresarial e nesse sentido, estamos a trabalhar para cumprir todos os pressupostos para o Município de Baião poder aceder a financiamento para executar obras nesta área.

CB - O turismo tem crescido na região do Douro. Como pode Baião afirmar-se sem perder a sua identidade?

ARA - O grande desafio é crescer com autenticidade e isso deve estar plasmado na nossa estratégia. A nossa paisagem, desde o rio até à serra, a nossa história e a nossa cultura, a gastronomia e os vinhos, o nosso artesanato e as nossas gentes são os maiores embaixadores desta autenticidade que é aquilo que nos distingue de outros polos turísticos. Para isso temos de apostar em produtos turísticos que valorizam o que é nosso e o que é único: rotas pedestres, turismo e desporto de natureza, experiências ligadas à vinha e ao vinho, gastronomia local, património cultural e religioso e acima de tudo, tudo aquilo que representa ser de Baião. A nossa estratégia passa também por envolver a comunidade local, para que o turismo não seja algo “imposto de fora”, mas uma oportunidade que gera rendimento para quem aqui vive.  

CB - A sustentabilidade ambiental está refletida nas opções políticas e orçamentais deste executivo?

ARA - Sim, a sustentabilidade ambiental tem de ser uma linha orientadora não só do nosso orçamento, mas de todo o país. 

A sustentabilidade ambiental está presente em diversos momentos do nosso programa: na gestão de resíduos que pretendemos tornar mais eficiente, na eficiência energética dos edifícios municipais, na salvaguarda e proteção dos rios e até na gestão da floresta.  Isto implica, por exemplo, reforçar áreas verdes, proteger a Serra da Aboboreira através da sua qualificação de Paisagem protegida, apostar e reforçar a educação ambiental, criar programas de sensibilização para a reciclagem para melhorarmos os nossos índices e outras tantas apostas. A certificação como destino turístico sustentável não nos pode toldar a ação porque há muito mais a fazer.  Baião tem um património natural extraordinário, é nosso dever tirar partido dele, mas também é nossa obrigação garanti-lo às próximas gerações.

CB- Que importância dá à proximidade com os cidadãos e como pretende reforçar essa relação?

ARA - A proximidade com os baionenses é imperativo para mim, numa governação moderna e focada em resolver os problemas dos cidadãos.

Um presidente que se afasta das pessoas perde a noção dos problemas diários que as estas enfrentem nas suas vidas, perde a noção da fotografia real do seu território. Para mim, enquanto autarca, receber as pessoas e ouvi-las não é acessório, faz parte dos meus compromissos semanais. Para mim, ir ao encontro das pessoas na sede da sua junta de freguesia, é um compromisso mensal que está já definido para todo o ano.

A proximidade exige tempo, exige respeito e acima de tudo, exige muita empatia em entender e em nos colocarmos “nos sapatos” do outro, mas por tudo isto é que quero ser uma presidente presente, que visita freguesias, que entra no comércio local sem receio, que participa na vida associativa e na das diversas instituições, que reúne regularmente com os diretores de agrupamento e que está disponível para ouvir, mesmo que seja só para receber críticas.

CB- A transparência e a boa governação são frequentemente exigidas aos autarcas. Que compromissos assume nesta matéria?

ARA - Assumo um compromisso claro com a transparência e isso materializa-se em diversas opções nossas: na comunicação direta e clara através das redes sociais, com a continuidade da transmissão das reuniões de câmara e acima de tudo, com a minha disponibilidade e dos vereadores para atender e responder a todas as dúvidas que os cidadãos coloquem.

Queremos que qualquer munícipe possa perceber como é aplicado o dinheiro público, quais são as prioridades e que critérios usamos nas decisões e isso irá materializar-se através de melhorias, por exemplo, no regulamento de apoio ao associativismo ou relativamente ao processo de atribuição de bolsas escolares. A confiança conquista-se com o tempo e tenho a certeza de que os baionenses sentirão a diferença.

CB- Qual foi o momento mais marcante desde que tomou posse?

ARA - Houve vários momentos marcantes, mas a cerimónia de tomada de posse ficará para sempre gravada na minha memória. O apoio coletivo que senti naquele dia, a energia no espaço e a alegria estampada no rosto dos baionenses foram profundamente comoventes.

O momento em que li o Compromisso de Honra e se fez ouvir um aplauso intenso, quase ensurdecedor, foi particularmente marcante. Ali percebi, de forma muito clara, o peso da responsabilidade que assumi e, ao mesmo tempo, a confiança que as pessoas depositaram em mim. É uma memória que me deixa, ainda hoje, emocionada.

Destaco também algo que se tem repetido no quotidiano e que me toca de forma especial: a forma como tenho sido, literalmente, abraçada pelas crianças e pelos jovens do concelho. Esses gestos espontâneos, cheios de afeto e proximidade, lembram-me todos os dias porque vale a pena servir, ouvir e trabalhar com sentido de missão.

Governa-se melhor quando se sente esta ligação humana às pessoas, ao território e ao futuro que estamos a construir juntos.

CB - Que mensagem gostaria de deixar aos baionenses neste início de ciclo autárquico?

ARA - Gostava de dizer aos Baionenses que tenho dedicado todas as horas do meu dia a trabalhar em prol da nossa terra, para que, a curto, médio e longo prazo, se sintam os resultados da nossa visão estratégica para o concelho. Este primeiro ano, para além de ser um período inteiramente dedicado a preparar e a lançar as bases para os nossos projetos mais estruturais, ficará também marcado por alterações estruturais ao modo de governança do nosso concelho.

Peço a sua confiança, mas também a sua exigência e participação: que nos ajudem a identificar problemas, a construir soluções e a melhorar o que for preciso ao longo do caminho.
Comprometo-me a trabalhar todos os dias com seriedade, proximidade e sentido de serviço público. Baião tem tudo para ser um concelho de futuro, com orgulho na sua história. Se caminharmos juntos, tenho a certeza de que, daqui a alguns anos, olharemos de outra forma para o nosso concelho. Ajudem-nos a Fazer Acontecer.

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