Bernd Friedman trocou a arte pela música alternativa e o Porto pelo lugar do Poço Negro, em Ancede, no concelho de Baião.
Por uma estrada de difícil acesso, com uma calçada romana pelo meio, fomos encontrar o músico, “que não sabe escrever música”, mas que tem inspirado músicos pelo mundo inteiro.
Numa casa renovada e feita à medida das duas necessidades, Bernd Friedman recebeu-nos com um café e uns biscoitos, gentilmente oferecidos pelo vizinho e amigo Carlos Vieira, também ele um forasteiro que escolheu Baião para o descanso de fim de semana.

Não os podemos criticar, pois as vistas para o rio Douro, pela zona da Pala, contrastam em tudo com o nome do lugar, que nada tem de negro.
Voltando ao músico, nascido em Coburg e criado em Kassel, na Alemanha, licenciou-se em artes, mas é a música que o completa e faz dele um nome conhecido pelo mundo.
Com 13 anos já gravava música com os amigos e com o irmão, recorrendo a instrumentos musicais improvisados. O despertar para a música deu-se quando estudava artes e a partir do final da década de 80 dedicou-se inteiramente à música.
Afinal a arte não está assim tão distante da música e dos ritmos que Bernd faz soar para o mundo, hoje em dia acompanhado pelo português João Pais Filipe.
Com um português ainda a amadurecer, mas um inglês consolidado, o músico, especialista na percussão, fala do seu percurso de vida e da paz e calma que encontrou no Poço Negro.
“No final de tudo, é o melhor sítio que eu podia ter encontrado”, disse.
Viu Baião uma única vez, através do rio, e encantou-se com a zona. Adquiriu a propriedade através de uma baionense que vende num mercado do Porto. É de bicicleta que calcorreia os caminhos que o levam até à estação de Mosteiro e de Mosteiro até ao Poço Negro, quando precisa viajar.

A sua música sai da alma, do coração e quando questionado sobre como a faz, a resposta é simples: “temos de perceber o que é que a música quer e não o que é que o compositor quer”.
Inspirado por Jaki Liebezeit, autor de um novo sistema de movimento de braços na percussão, assente num sistema binário, há cerca de 20 anos que Bernd faz a sua música, hoje mais para si próprio e para os amigos.
Ao Poço Negro dedicou já uma música, que diz que é uma homenagem aos vizinhos e aos baionenses.
Acima de tudo é uma inspiração no mundo da música, na produção e divulgação da música instantânea, “onde tudo é possível”, garante.