2023/11/24
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Inspirado na obra de Agustina Bessa-Luís, que conta uma história verídica que aconteceu na Casa de Lodeiro, em Santa Cruz do Douro, no concelho de Baião, o grupo Bai’o Teatro vai colocar em palco cerca de 20 atores amadores a representar o romance “Fanny Owen”.
Cerca de três meses de trabalho que vão culminar no dia 25 de novembro, pelas 21:30, com a estreia da peça no Auditório Municipal de Baião.
Nervosismo e ansiedade, mas também muita camaradagem e algumas risadas, são a tónica dos ensaios do grupo, com os atores devidamente trajados a rigor e com os encenadores, que também são atores, a orientarem posições e falas.
Ana Pinto e Rafael Pereira coordenam o grupo, que tem atores de várias idades e cujo o papel principal, o da deslumbrante Fanny Owen, foi entregue a uma das mais novas atrizes do grupo, Marta Tavares.
Por entre o estudo do guião e o estudo para os testes na escola, Marta entra em cena, vestindo o papel da inglesa, que arrebata o coração de José Augusto, um homem rico e fútil, filho dum oficial inglês. José Augusto é interpretado por João Teixeira, que o faz com rigor e profissionalismo, não deixando de parte o toque de homem abastado e sem preocupações aparentes.
A peça, de acordo com os encenadores, surge no âmbito do centenário de Agustina Bessa-Luís, que a Câmara Municipal de Baião quis que fosse assinalado.
Para os encenadores a peça não é novidade, dado que já a trabalharam noutro contexto, mas não deixam de frisar que “foi um desafio”.
“É uma obra muito peculiar, do século XIX, com uma linguagem interessante, mas difícil para agarrar, sobretudo pelo lado emotivo”, disseram.
A peça retrata elementos do século XIX, onde a decadência da burguesia serve de cenário para o romance. O escritor Camilo Castelo Branco também entra na história, papel que vai ser interpretado por Rafael Pereira, companheiro de José Augusto na Casa de Lodeiro, em Santa Cruz do Douro, e de alguma da sua vida boémia.
Uma grande parte do romance de Agustina Bessa-Luís vai estar em palco, com maior realce para as cenas que se passaram em Santa Cruz do Douro, sem deixar de ir a alguns momentos importante no Porto, como o baile, que servem para perceber o enredo da história.
Ana Pinto e Rafael Pereira estudaram a obra de Agustina e vão levar ao palco do auditório os sabores de Baião, que a escritora descreveu no livro, como alguns alimentos e o vinho.
Será cerca de uma hora meia de espetáculo, com as interpretações de Ana Pinto, que fará de Maria Owen, irmã de Fanny, Dora Pinto, que fará de criada Judite, vítima de violência doméstica, Né Vieira de Castro, que fará de Josefa, cunhada do José Augusto, e de senhoria da casa do Porto, Rui Borges, que fará de um dos criados e de doutor Ferreira, Lina Monteiro , que fará de Maria Rita, mãe de Fanny e Maria Owen, Afonso Pereira, que fará de um dos criados e um elemento do baile, Cândida, que fará de criada Clotilde, Teresa, que fará de uma familiar da Fanny Owen, Sara Pereira, que fará Franzina e Raquel, esta última casada com um homem 25 anos mais velho e senhora de 14 amantes, Pedro Teixeira, que fará de padre, de capataz, de Marques, de Raimundo, de Marcelino e de Barão do Corvo, e Francisco, que fará de criado Vicente.
Ao jornal “O Comércio de Baião” os atores não esconderam a ansiedade, mas disseram que “quem corre por gosto não cansa”.
“Estamos cá todos com muito amor, com muita fé e somos muito unidos. O grupo Bai’o Teatro é uma família e quando os nossos encenadores nos propõem os papéis nós aceitamos”, disseram, acrescentando: “É uma peça muito exigente, dramática e estamos todos um pouco nervosos, mas os ensaios são sempre muito divertidos, porque sabemos todos as falas uns dos outros e não sabemos a nossas”.