2026/02/04
Ontem dia 3, Diogo Miguel Pinto, natural do concelho de Baião e investigador colaborador do CEGOT – Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, da Universidade do Porto, integrou a comitiva da associação Rural Move numa audição parlamentar realizada na Comissão de Agricultura e Pescas da Assembleia da República.
A sessão decorreu no âmbito de uma audiência conjunta dedicada à operacionalização do estatuto de Jovem Empresário Rural (JER).
Na sua intervenção, Diogo Miguel Pinto sublinhou que a atratividade dos territórios para os jovens empresários rurais não depende apenas de apoios financeiros e incentivos, mas sobretudo da existência de um contexto territorial previamente estruturado.
Para o investigador, “o empreendedorismo não se implanta no vazio”, exigindo antes uma governança eficaz, uma rede policêntrica de centralidades e a disponibilidade de serviços essenciais funcionalmente acessíveis.
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O investigador alertou ainda que, sem uma base administrativa, territorial e de governança sólida, o investimento tende a revelar-se frágil, temporário e pouco eficaz. Nesse sentido, defendeu que a preparação do território deve ser encarada como uma condição prévia para que o estatuto de Jovem Empresário Rural possa cumprir os seus objetivos de fixação de população, geração de atividade económica sustentável e promoção da coesão territorial.
A intervenção destacou igualmente o potencial da silvicultura, da agricultura e da pecuária enquanto instrumentos de gestão ativa do território, com impactos diretos na redução do abandono rural e na mitigação estrutural de riscos, como o dos incêndios florestais.
Esta participação constituiu um contributo para um debate nacional considerado fundamental sobre políticas públicas, onde estiveram também em análise as questões do ordenamento do território e do desenvolvimento rural. O tema assume particular relevância para os concelhos do interior do país, como Baião, que enfrentam desafios persistentes de despovoamento e fragilidade socioeconómica.